Memorial da Resistência de São Paulo

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O Memorial da Resistência de São Paulo fica localizado em uma parte do antigo edifício-sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo – Deops/SP.
Na época da ditadura, esse local foi palco de grandes atrocidades, mas também foi um lugar de muita resistência e solidariedade, e é essa história que o Memorial da Resistência se propõem a nos contar.
O Memorial conta com uma exposição fixa e exposições temporárias. A exposição fixa é dividida em quatro partes:

O Edifício e suas memórias

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Neste espaço, é exibido os diferentes usos e apropriações do edifício onde hoje fica o Memorial da Resistência e a Estação Pinacoteca; também é apresentado um vídeo curto sobre a estrutura e o funcionamento do Deops/SP.

Controle, repressão e resistência

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Neste espaço, através de uma apresentação multimídia, nos é mostrado como foi feito o controle, a repressão e a resistência, no triste tempo de ditadura militar que nosso país viveu.
Eles explicam as várias formas pelas quais foram feitos o controle e a repressão; e também as diversas formas de resistência que o nosso povo adotou para combater o estado autoritário.
Os textos são pequenos e fáceis de ler, e há também fotos e documentos que nos aproximam ainda mais da história que nos é contada, confesso que me emocionei muito nessa parte, pois me deu uma dimensão maior ainda da força daqueles que resistiram, e o quanto que a liberdade que tenho hoje, é fruto dessa força e dessa resistência.
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Há também uma linha do tempo, que nos dá mais contexto histórico dos fatos que aconteceram nesse tempo, tanto no cenário nacional quanto internacional.

A construção da memória: o cotidiano nas celas do Deops/SP

“O conjunto prisional, composto pelas quatro celas remanescentes, pelo corredor principal e pelo corredor para banho de sol, testemunhou muitas atrocidades, desencanto, humilhação e desespero, mas, com a mesma ênfase, acolheu diferentes atitudes de coragem, fraternidade e sábia resistência.”

Começamos nossa visita pelo corredor para banho de sol, e já me emocionei muito ao ver o quanto ele era pequeno, triste e sufocante. Foi difícil pensar que pessoas como eu, estudantes, jovens, cheios de sonhos e esperança passaram por ali, e viveram ali momentos de medo, tristeza e sofrimento.

Corredor para banho de sol no antigo Deops/SP, impossível não se emocionar 😕 #memorialdaresistencia #saopaulo #ditaduranuncamais

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Na primeira cela, lemos depoimentos de pessoas que ficaram presas no Deops/SP, e mais uma vez me emocionei tanto com os depoimentos, quanto com o tamanho da cela, que é muito pequena, e também em poder sentir e imaginar o que eles passaram aqui.
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Na segunda cela, encontramos máscaras com os nomes de algumas pessoas que foram presos políticos no Deops/SP, há também um vídeo que presta uma homenagem a todos aqueles que lutaram e continuam lutando pelos ideais de justiça e democracia.

Na cela 3, há uma reconstituição parcial feita pela equipe do Memorial, a partir de relatos de ex presos políticos que também participaram do processo de reconstituição.
Eles também escreveram nas paredes o nome de algumas pessoas que foram presos políticos no Deops, e é emocionante pensar nas histórias de força, coragem, resistência, sonhos e solidariedade de cada uma dessas pessoas que lutaram pelo nosso Brasil.
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Por fim, na cela 4 somos convidados a ouvir relatos de ex presos políticos, nos quais eles falam sobre como a solidariedade entre os presos prevalecia no meio das dificuldades que eles enfrentavam.
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No corredor entre as celas, há um vídeo e algumas peças que nos mostram como era a resistência nas ruas.
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Da carceragem ao Centro de Referência

Este espaço oferece a possibilidade dos visitantes se aprofundarem nos temas mostrados no Memorial, através de consulta a banco de dados referenciais e outros documentos.

Na entrada/saída da exposição há uma mesa que nos mostra alguns objetos que eram usados nos interrogatórios, onde os presos políticos eram covardemente torturados.
Há um fone de ouvido onde é possível ouvir a simulação de um interrogatório e sentir (mesmo que não na mesma intensidade) na própria pele os abusos físicos e psicológicos pelos quais os presos políticos passaram.
Confesso que não consegui ouvir nem 5 segundos da simulação, o Rafa também não conseguiu ouvir tudo, mas isso só reforçou em nós o que já havíamos sentido durante todo a exposição: a indignação pelos atos desumanos e covardes que aconteceram durante a ditadura militar no Brasil, e a admiração pela força e coragem daqueles que bravamente resistiram.
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Lembrar é resistir

Acredito que a visita ao Memorial da Resistência é muito necessária a cada um de nós; precisamos constantemente nos lembrar sobre as atrocidades que foram cometidas em regimes autoritários no Brasil e no Mundo, porque lembrar é resistir.
Quando contamos essas histórias, nós contamos com o objetivo de honrar a memória daqueles que resistiram, e de resistir a qualquer possibilidade de que isso volte a acontecer no Brasil.
Sabemos que muitas injustiças ainda são cometidas no nosso país, principalmente com as minorias da nossa população, mas devemos resistir todos os dias, com coragem, solidariedade e esperança; lembrando que outros no passado resistiram por nós.

Memorial da Resistência

Endereço: Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia, São Paulo – SP
Telefone: 55 11 3335-4990 • Entrada Gratuita
Aberto de quarta a segunda (fechado às terças), das 10h00 às 17h30
Como chegar de transporte público: O Memorial da Resistência fica a menos de 5 minutos da Estação Júlio Prestes, nós fomos andando da estação, porém é necessário redobrar a atenção e tomar muito cuidado, pois essa região é onde fica a Cracolândia.
No horário e dia que fomos, as 14h de um sábado, havia um movimento normal de pessoas nas ruas e alguns guardas civis, porém não é recomendado andar sozinho, nem a noite nessa região.
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